Eu adoro essa frase do mestre da antítese, Charles Baudelaire. Como todas as suas poesias, é cheia de conotações e de sentidos opostos que se completam. Por que falar disso? Sei lá… tenho a impressão que dentro de mim muitas vezes encontro um jardim morto, sombrio, um lado que não quero revelar e que me nego à reconhecer como eu. São flores mesquinhas que corto todas as noites, mas que a luz da aurora lhes faz, contra todos os meus desejos mais íntimos, florescer todas as manhãs. E lá, já não sou mais eu.
O veneno corre feroz em minhas veias, gritando blasfémias ao vazio em um ímpio de luxúria e egoísmo. Salvem-me os anjos, já que os demônios me habitam nas tormentas. Silêncio. Nada acontece. Silêncio. E voltam os ruídos ensurdecedores desses anjos outros que, como as flores, estão à serviço do mal. A única paz que desejo alcançar é agora longínqua e pertence aos que, com sorte, adormeceram nos jardins do Père Lachaise e ao Montparnasse.









